A Páscoa e seus múltiplos (e deliciosos) significados

Ovos, coelhos, barras… tudo de chocolate! O domingo de Páscoa representa, na realidade, uma festa. Nem todos sabem, no entanto, o que estão celebrando. Para os cristãos, a Páscoa é a Ressurreição de Jesus Cristo. Para eles, o Filho de Deus foi crucificado na Sexta-feira Santa e fez a primeira aparição a seus discípulos no Domingo de Páscoa.

GERAL

4/1/20263 min read

Olá amigos!

Redigi o texto abaixo quando ainda era correspondente do Estadão na Europa, continente em alto grau católico. Eu o encontrei no meu arquivo. Como aprendi muita coisa ao fazer a pesquisa para discorrer sobre “O Domingo de Páscoa” e nos aproximamos da data, considerei oportuno disponibilizá-lo novamente. Garanto que você, como eu, irá se surpreender com os vários significados da Páscoa. Boa leitura!

Por que Domingo de Páscoa?

Ovos, coelhos, barras… tudo de chocolate! O domingo de Páscoa representa, na realidade, uma festa. Nem todos sabem, no entanto, o que estão celebrando. Para os cristãos, a Páscoa é a Ressurreição de Jesus Cristo. Para eles, o Filho de Deus foi crucificado na Sexta-feira Santa e fez a primeira aparição a seus discípulos no Domingo de Páscoa.

Os judeus têm, também, sua Páscoa, a Pessach, passagem em hebraico, mas seu sentido é outro. Eles celebram a libertação do seu povo da escravidão de 400 anos no Egito, a passagem para a liberdade, liderada por Moisés, ocorrida por volta de 1.280 antes de Cristo. E o próprio Jesus provavelmente comemorava a Pessach com seus pais, José e Maria, pois eram judeus.

A data da Páscoa cristã foi definida no Primeiro Concílio de Nicea. Cerca de 250 bispos se reuniram na cidade de Nicea, hoje Isnik, na região da Anatólia, Turquia, no ano 325. O evento foi promovido pelo imperador romano Constantino I, que entrou para a história por, principalmente, adotar o cristianismo como religião oficial do império.

No Concílio de Nicea ficou estabelecido, dentre outras ações, a data da Páscoa, a da Ressurreição de Cristo. E definiram que seria na primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte, outono no hemisfério sul, o do Brasil. É por isso que a data da Páscoa é móvel, varia entre 22 de março e 25 de abril.

A primavera no hemisfério norte é sempre um motivo de alegria para os povos, pois começam a sair da “hibernação” do rigoroso inverno.

Nessa época do ano os coelhos, por exemplo, deixam suas tocas e cruzam os campos floridos com maior frequência, passam a ser mais vistos. E poucas coisas na natureza representam tanto a vida, a fertilidade, quanto os coelhos, pródigos reprodutores.

Retomemos o tema da Páscoa. A Ressurreição de Cristo o que é senão a volta de Jesus à vida dos homens?

Ovos, outra vertente

Há ainda, até hoje, uma tradição em muitas nações de se presentear os parentes, amigos, com ovos fervidos e pintados exatamente no início da primavera, período em que os hábitos dos cidadãos mudam radicalmente em relação às severas exigências do inverno. Na primavera tudo parece voltar à vida, como a Ressurreição de Cristo.

Os dois aspectos combinados, o ovo como símbolo da vida e o coelho como embaixador da vida, acabaram sendo absorvidos pelas festividades cristãs. São perfeitos para cristalizar a Ressurreição de Cristo.

Mas ainda falta uma peça do quebra-cabeça: por que ovo de chocolate?

A questão é controversa. Registros sugerem que foram confeiteiros da França que iniciaram a tradição de produzir ovos de Páscoa de chocolate no século XVIII. Outros acreditam que os ingleses são os responsáveis. Existem outras teorias. Seja como for, o chocolate faz parte da Páscoa há séculos.

Há nessa história de a Páscoa representar alegria, ainda, os poderes quase sobrenaturais do chocolate. Estudos indicam que a sua fórmula básica apresenta estimulantes da produção do hormônio endorfina e da substância neuro-transmissora serotonina, ambos associados à sensação de bem-estar e bom humor. Daí o chocolate ser chamado, por alguns, de o Néctar dos Deuses.

De volta à espiritualidade

Os cristãos quando meditam sobre os episódios religiosos dessa época se elevam, sentem a presença viva de Jesus nos seus corações. Os menos religiosos também sentem, de alguma forma, uma certa sensação de paz na Páscoa, mesmo que por breve período de tempo. Provavelmente por serem envolvidos pelo clima de desprendimento, solidariedade, elevação que atinge a maioria, até os menos sensíveis.

Temos, portanto, motivos de sobra para esperar pelo Domingo de Páscoa. Mesmo para quem não é cristão. Vamos recordar?

Experimentamos um instante quase involuntário de reflexão filosófica proporcionado pela Ressurreição, capaz de contaminar quase todos, indistintamente. Dois: presentear alguém ou receber um regalo é sempre prazeroso. Mais: e o que não dizer de saborear as delícias inebriantes do chocolate?

É por tudo isso que não são poucos os que no começo do ano, quando novos calendários chegam as nossas mãos, vão logo querendo saber quando é a Páscoa, o Domingo de Páscoa.

Amigos, dentro do possível, diante de tantos desencontros, tenhamos todos um elevado Domingo de Páscoa. Abraços.